Anarcocomunismo

Pedro Menezes
Revisão por Pedro Menezes
Professor de Filosofia, Mestre em Ciências da Educação

O que é Anarcocomunismo:

O anarcocomunismo, também conhecido como comunismo libertário, é uma vertente do anarquismo que adota princípios comunistas para a construção da ideia de sociedade ideal.

Para os anarcocomunistas, as classes sociais e o Estado devem ser abolidos e não deve haver propriedade privada dos meios de produção. As pessoas têm livre iniciativa e a produção é organizada por federação de trabalhadores.

No anarquismo comunista, os frutos do trabalho devem ser divididos de acordo com as necessidades do indivíduo e não de acordo com o trabalho desempenhado.

Os ideais anarcocomunistas

O anarcocomunismo é uma junção de ideais do comunismo e do anarquismo. Os comunistas anárquicos acreditavam que o comunismo era autoritário e mantinha a relação de classe explorada e classe exploradora ao dar para o Estado o monopólio dos meios de produção.

No entanto, eles também discordavam dos primeiros anarquistas - chamados coletivistas. Os coletivistas defendiam que os frutos do trabalho deveriam ser distribuídos de acordo com o trabalho realizado.

Para essa nova vertente do anarquismo, isso geraria uma diferença de remuneração e, por consequência, desigualdade social.

Para os anarcocomunistas, os homens são iguais por natureza, mas as desigualdades são produzidas pela forma de organização da sociedade, especialmente devido à existência da propriedade privada.

Eles defendiam uma sociedade justa, baseada na cooperação e na distribuição dos frutos do trabalho visando o bem-estar da coletividade.

Para os anarcocomunistas, todo o conhecimento e os progressos alcançados pelo ser humano foram resultado de construções coletivas e, portanto, os benefícios desses avanços devem ser usufruídos por todos.

O anarcocomunismo pretendia fazer uma revolução social e tinha dentre seus objetivos:

  • Abolir o governo, as leis e todos os privilégios políticos.
  • Acabar com a propriedade privada e com as classes sociais.
  • A produção seria organizada conforme os interesses profissionais e com livre acordo entre as federações.
  • O trabalho seria limitado às forças produtivas e o consumo limitado às necessidades de cada indivíduo.
  • Acesso livre à cultura, escola, arte e ciência.
  • Abolição do predomínio de classe.

Origem do anarcocomunismo

Os anarquistas eram contrários à concepção do comunismo proposto por Karl Marx, pois acreditavam que era um modelo estatista e autoritário, que levaria às mãos do Estado a propriedade dos meios de produção.

Os anarquistas defendiam o fim do Estado, mas parte desses militantes estavam insatisfeitos com o modelo coletivista do anarquismo, que defendia a divisão dos frutos do trabalho de acordo com o esforço realizado pelo trabalhador.

Para eles, não era possível estabelecer critérios para medir a produtividade de cada trabalho e a diferença de remuneração entre os trabalhadores provocaria desigualdades sociais.

Em 1876, o anarcocomunismo foi apresentado na Associação Internacional dos Trabalhadores, por Carlo Cafiero e Errico Malatesta. Essa nova corrente do anarquismo tinha como principal diferença dos anarquistas coletivistas a ideia da distribuição dos frutos do trabalho.

A partir dos anos 1880, boa parte dos anarquistas europeus adotaram o anarquismo comunista e um dos mais importantes proponentes dessa ideia foi o russo Piotr Kropotkin.

Kroptkin defendia que a cooperação era mais benéfica que a competição e que as relações deveriam estar baseadas na ajuda mútua. O pensador era contrário à ideia liberal do individualismo, que, segundo ele, faria da sociedade uma guerra de todos contra todos

Veja também: anarquismo, comunismo e características do comunismo.

Data de atualização: 18/06/2021.


Pedro Menezes
Revisão por Pedro Menezes
Licenciado em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Mestre em Ciências da Educação pela Universidade do Porto (FPCEUP).