Significado de Arquitetura Renascentista

Sónia Cunha
Revisão por Sónia CunhaLicenciada em História da Arte

O que é Arquitetura Renascentista:

É o estilo arquitetônico do período Renascentista que domina na Europa entre meados do século XIV até finais do século XVI.

A arquitetura renascentista vai suceder à gótica e é com ela que o Renascimento dá os primeiros passos. A sua principal característica, assim como do Renascimento em geral, é o renascer das formas e princípios da Antiguidade Clássica (greco-romana), um revivalismo clássico.

A motivação deste estilo arquitetônico, e de certa forma do Renascimento como um todo, é dado por Filippo Brunelleschi (1377-1446), o primeiro grande arquiteto da época moderna.

Todo esse episódio ocorreu em Florença, considerado o centro essencial de produção artística durante o início do Renascimento.

Foi Brunelleschi que retomou os arcos de volta-perfeita e as colunas, e introduziu a perspectiva linear, assim como o rigor matemático das suas construções.

Filippo Brunelleschi

Arquiteto italiano, Filippo Brunelleschi.

No final do século XV e início do século XVI, arquitetos como Bramante e Antonio da Sangallo, mostraram domínio do estilo revivido.

Eles aplicaram esse estilo em edifícios como igrejas e palácios da cidade de Florença, que eram bem diferentes das estruturas dos tempos antigos.

Além do revivalismo clássico, a arquitetura renascentista vai trazer a separação definitiva entre escultura, pintura e arquitetura através da sua monumentalidade e detalhe nas decorações dos edifícios.

As características da arquitetura renascentista

A arquitetura renascentista adotou características da arquitetura clássica. No entanto, as formas e propósitos dos edifícios mudaram com o tempo, assim como a estrutura das cidades. Então, posteriormente os métodos e processos de construção clássicos passam a ser usados, mas adaptados à época em questão.

  • As construções renascentistas geralmente têm uma aparência quadrada e simétrica na qual as proporções são baseadas em um módulo. Já as fachadas são simétricas em torno do seu eixo vertical;
  • As fachadas das igrejas, por exemplo, são maioritariamente compostas por um frontão (conjunto arquitetônico de formato triangular) que fica encima da parte superior da construção;

pienzaUma das primeiras fachadas renascentistas: Catedral de Pienza. Esta obra é atribuída ao arquiteto florentino Bernardo Gambarelli (conhecido como Rossellino) e denota influência do grande arquiteto e teórico do Renascimento, Leon Battista Alberti.

  • As principais características das construções renascentistas são o resultado direto da influência clássica, da vontade de reviver o passado. Um dos aspetos mais significativos da arquitetura renascentista foi o retorno das ordens arquitetônicas clássicas (dórica, jônica, coríntia, toscana e compósita) e também do arco de volta-perfeita;
  • A cúpula é usada frequentemente neste período, tanto como uma característica estrutural grande e visível no exterior, como também um meio de cobrir espaços menores.

Ao longo do tempo, a cúpula se tornou um elemento indispensável na arquitetura renascentista e foi transportada para o Barroco.

florencaCatedral de Florença, na Itália, com cúpulas: característica marcante da arquitetura renascentista.

Veja também o significado de renascimento, classicismo, arquitetura e arquitetura grega.

Os principais arquitetos renascentistas e suas obras

  • Filippo Brunelleschi (1377 - 1446):Cúpula da Catedral de Santa Maria del Fiore de Florença (1420-36), Basílica de San Lorenzo, Florença (1420-69), Ospedale degli Innocenti, Florença (1424-45), Capela Pazzi, St Croce, Florença (1429-61);
  • Michelozzo di Bartolommeo (1396 - 1472): Palazzo Medici Riccardi, Florença (1445-1460);
  • Leon Battista Alberti (1404 - 1472): Palazzo Rucellai, Florença (1446-51), Tempio Maltestiano, Rimini (1450-68), Igreja de Santa Maria Novella, Florença (1458-71);
  • Frei Giovanni Giocondo (1433 - 1515): Palazzo del Consiglio, Verona (c.1470);
  • Giuliano da Sangallo (1443 - 1516) : Igreja de Santa Maria delle Carceri, Prato (1485-1506), Palazzo Gondi, Florença (1490-94), Palazzo della Rovere, Savona (1496);
  • Donato Bramante (1444-1514) : Igreja de Santa Maria delle Grazie, Milão (1492-98) ,Tempietto de San Pietro in Montorio, Roma (1502);
  • Jacopo Sansovino (1486 - 1570) - Biblioteca de São Marcos, Veneza (1536-88), Loggetta di San Marco, Veneza (1537-40), Palácio Cornaro della Ca Grande, Veneza (1542-61);
  • Giulio Romano (1499 - 1546): Villa Lante, Roma (1520-4), Palazzo del Te, Mântua (1525-34), Casa Romano, Mântua (1540);
  • Michelangelo (1475 - 1564): Túmulo do Papa Júlio, Roma (iniciado em 1505), Biblioteca Laurentina, Florença (1524-71), Cúpula da Basílica de São Pedro (1546-64), Igreja de Santa Maria dos Anjos e dos Mártires, Roma (1563-66);
  • Baldassare Peruzzi (1481 - 1536): Villa Farnesina, Roma (1508-11), Palazzo Massimo alle Colonne, Roma (1532-6);
  • Michele Sanmicheli (1484 – 1559): Capela Petrucci em St Domenico, Orvieto (1516-24), Villa Soranza, Pádua (1520), Palácio Bevilacqua, Verona (1534) - Palazzo Grimani, Veneza (1540-62);
  • Giacomo Barozzi (Vignola) - (1507 - 1573): Villa Giulia, Roma (1550-1553), Igreja de Santo André, Via Flaminia, Roma (1552), Villa Farnese, Caprarola, perto de Roma (c.1560), Igreja do Gesù (Jesuítas) Roma (1568-73);
  • Andrea Palladio (1508 - 1580): Villa Polana, Vicenza (1545-50) - Villa Cornaro, Treviso (1552-1554), Igreja de San Giorgio Maggiore, Veneza (1562), Villa Capra (La Rotunda) Vicenza (1566-91), Basílica (câmara municipal medieval), Vicenza (1617);
  • Pirro Ligorio - (1510 - 1583): Casina Pio IV (Villa Pia) Vaticano (1559-1562), Villa D'Este, Tivoli (1572) Antonio Contini, Ponte dos Suspiros, Veneza (1600);
  • Giacomo della Porta (1532 - 1602): Igreja do Jesus (jesuítas) Roma (abóbada cruzada, cúpula, abside) (1568-84), Palazzo Senatorio, Capitol Hill, Roma (1573-1602), Fonte de Netuno, Roma (1574), Basílica de São Pedro, Roma (conclusão da cúpula) (1588-90).

Data de atualização: 19/06/2019.

Sónia Cunha
Revisão por Sónia Cunha
Licenciada em História da Arte pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (2003), e em Conservação e Restauro pelo Instituto Politécnico de Tomar (2006).