Significado de Crise econômica

Talita Carvalho
Talita Carvalho
Licenciada em Economia

O que é Crise econômica:

Uma crise econômica é caracterizada por um período de redução do nível de produção de um país, que está relacionado à redução do consumo, queda das taxas de lucro e aumento do desemprego.

O sistema capitalista funciona de maneira cíclica, isto é, apresenta fases de crescimento e de retração. Isso significa que de tempos em tempos, esses sistema de produção passa por crises.

Devido ao movimento cíclico dos níveis de produção, a economia pode ser analisada dentro de uma dinâmica de ciclos econômicos. Estes ciclos apresentam quatro fases principais:

  • Expansão: os níveis de produção estão crescendo, assim como a demanda, a renda das famílias e a taxa de lucro das empresas;
  • Boom: a atividade econômica atinge seu ponto máximo. Nesse momento podem acontecer problemas de superprodução e alta inflação;
  • Recessão: a atividade econômica começa a diminuir, diminui a demanda e começa a crescer a taxa de desemprego;
  • Depressão: aprofundamento da crise econômica, redução das taxas de juros, altas taxas de desemprego e ocorrência de falências.

Assim, podemos classificar as crises econômicas de maneira simplificada em fases de recessões e depressões. Uma recessão é uma retração da economia e costuma ser caracterizada pela queda do Produto Interno Bruto (PIB) por dois trimestres consecutivos.

Uma depressão, por sua vez, é uma queda abrupta do PIB de um país ou então um prolongamento excessivo de uma recessão. Isto é, são crises duradouras, com profundos impactos na economia de um país.

Nas depressões os indicadores econômicos sofrem grande redução, as taxas de desemprego são muito altas e é comum que grandes empresas ou instituições financeiras decretem falência.

Quando acontece uma crise, o Estado precisa adotar políticas econômicas com o intuito de conter a redução da produção e estimular a recuperação da economia.

Dentre as possibilidade de medidas a serem tomada pelo governo em uma crise estão a redução da taxa de juros para estimular o crédito e o consumo; e a realização de investimentos em infraestrutura e em áreas sociais, o que eleva o emprego e aumenta a renda.

Saiba mais sobre recessão e PIB.

Crise econômica no Brasil

O Brasil vive uma crise econômica que teve início entre o final de 2014 e os primeiros meses de 2015 e é considerada o pior período de recessão da história do país.

O Produto Interno Bruto do país recuou durante dois anos consecutivos e a taxa de desemprego chegou ao total de 12,2%, atingindo mais de 12 milhões de brasileiros.

A crise econômica brasileira é resultado de inúmeros fatores e está diretamente relacionada com a crise econômica internacional, que se iniciou no ano de 2008.

Para conter os efeitos da crise mundial, o então Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, adotou medidas de estímulo ao consumo, como a redução da taxa de juros - taxa Selic - redução de impostos e investimentos em infraestrutura.

Naquele momento, a economia brasileira estava vendendo muitas commodities para o mercado internacional, em especial, minério de ferro e soja para a China, país que estava em franco crescimento.

Entenda o que são commodities.

Com a crise internacional, a demanda externa por esses produto diminuiu e seu preço caiu, o que provocou uma forte queda nas exportações brasileiras.

Essa redução da demanda internacional, somado às medidas de estímulo à economia que estavam sendo adotadas pelo governo brasileiro acabaram elevando muito a dívida pública do país.

Afinal, estava entrando menos dinheiro e mais recursos estavam sendo gastos.

Para evitar ainda mais o crescimento da dívida, a então presidente Dilma Rousseff começou a adotar medidas de contenção de gastos e elevação da receita. Cortaram-se benefícios e investimentos e elevaram-se os impostos.

Esses cortes provocaram o desaquecimento da economia. O consumo e a demanda diminuíram, as taxas de desemprego começaram a subir e algumas empresas fecharam.

Houve ainda, nesse período, elevação das taxas de inflação. Para frear o aumento dos preços, elevou-se a taxa Selic, o que provocou aumento de todos os juros da economia, reduzindo a oferta de do crédito e enfraquecendo o consumo.

O aumento da taxa de juros também teve um efeito negativo da dívida pública, pois quanto maior a taxa Selic, maior é o gasto do Estado para realizar o pagamento dos títulos públicos.

Veja também o significado de inflação e taxa Selic.

Crises econômicas mundiais

As duas maiores crises econômicas do sistema capitalista em nível mundial foram a crise de 1929 e a crise de 2008. Entenda o que aconteceu em cada uma delas:

Crise de 1929

A crise de 1929 atingiu os Estados Unidos, que já ocupava o lugar de maior economia do mundo, e afetou a maior parte dos países do mundo. Essa crise teve como uma das principais causas a superprodução.

Após o final da Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos tornou-se um grande exportador de produtos industrializados para os países europeus, que tiveram sua indústria enfraquecida pelo conflito.

Mas os países europeus foram se recuperando e a demanda pelos produtos americanos diminuiu, o que causou uma superprodução nos Estados Unidos. Afinal, tinham muito mais produtos do que mercado consumidor para eles.

Sem conseguir vender seus produtos, muitas empresas começaram a fechar e a taxa de desemprego atingiu o patamar de 27%.

A situação precária e a ameaça de que as empresas não conseguiriam arcar com suas dívidas fez com que houvesse uma venda em massa das ações na bolsa de valores, o que levou à quebra da bolsa de valores de Nova York.

Para recuperar a economia, o Estado precisou intervir com programas assistencialistas e medidas de estímulo à indústria.

Crise de 2008

A crise de 2008 também teve origem nos Estados Unidos e foi consequência de especulações financeiras realizadas em créditos imobiliários, o que ficou conhecido como bolha imobiliária.

Os juros no país estavam baixos e os preços dos imóveis estavam se valorizando. Oferecia-se muito crédito para a compra desses imóveis, que se tornavam garantia dessas operações.

Para os bancos era um negócio vantajoso, porque se eles não recebessem o dinheiro emprestado, pelo menos ficariam com o imóvel.

O número de empréstimos imobiliários foi crescendo e foram sendo oferecidos, inclusive, para as pessoas que já tinham outros empréstimos.

Para se capitalizar, os bancos transformaram esses créditos em ativos e os vendiam para investidores. O banco recebia o dinheiro à vista e os investidores recebiam os juros desse ativo ao longo do tempo.

Esses ativos também foram colocados em grandes pacotes de ativos e eram vendidos para investidores do mundo todo. Esses ativos tinham alta rentabilidade e eram classificados como investimentos de baixo risco.

Mas na verdade, esses ativos era de alto risco e os créditos passaram a não serem pagos. Os bancos, então, começaram a executar as casas, que foram se desvalorizando, o que fez com que os ativos perdessem valor.

Essa situação levou à quebra do Lehman Brothers, um dos maiores bancos de investimento dos Estados Unidos. Essa crise é considerada a mais grave desde 1929 e teve consequências no mundo todo.

Veja também o significado de juros e capitalismo.

Data de atualização: 09/12/2019.


Talita Carvalho
Talita Carvalho
Formada em Economia pela Universidade Federal do Paraná e mestranda em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Socioambiental pela Universidade do Estado de Santa Catarina.