Significado do Paradoxo de Fermi

O que é Paradoxo de Fermi:

Paradoxo de Fermi é o questionamento sobre a existência (ou não) de seres vivos inteligentes em outros planetas e galáxias do Universo.

O paradoxo consiste na contradição entre as altas probabilidades de existirem planetas semelhantes à Terra no Universo, levando em consideração a sua imensidão e a sua idade (estima-se que o Universo tenha aproximadamente 14 bilhões de anos), e o fato de, até o momento, os seres humanos nunca terem comprovado a existência de outras formas de vida inteligente em outros planetas.

Esse questionamento surgiu a partir da reflexão feita pelo físico italiano Enrico Fermi (1901 – 1954), que ao conversar com alguns amigos sobre todas as prováveis evidências da existência de planetas capazes de abrigar vida inteligente, fez a icônica pergunta: “então, onde eles estão?”.

Para melhor entender a questão de Fermi, basta olhar para o céu noturno numa noite sem nuvens. Nas melhores noites é possível enxergar cerca de 2,5 mil estrelas, o que representa apenas um centésimo de milionésimo das estrelas que formam a Via Láctea (nossa galáxia).

Ao total, existem aproximadamente 400 bilhões de estrelas apenas na Via Láctea. No Universo observável, de acordo com as estimativas mais recentes da astronomia, existem outras bilhões de galáxias semelhantes ou maiores do que a nossa, com outras bilhões de estrelas.

Ao todo, apenas no Universo observável (que, aliás, não é a maior parte do Universo), existem aproximadamente 70 septiliões de estrelas, com uma média de 17 bilhões de planetas provavelmente similares a Terra.

Com base nesses dados e a partir de um conjunto de especulações, os cientistas são capazes de calcular o número provável de planetas existentes no Universo capazes de abrigar algum tipo de vida inteligente. Para isso, utilizam a chamada Equação de Drake (N=R*Fp.Ne.Fl.Fi.Fc.L).

Equação de Drake

Esta equação foi formulada pelo astrofísico e astrônomo estadunidense Frank Drake, em 1961. A sua função é determinar uma média de prováveis civilizações extraterrestres que existem na Via Láctea capazes de estabelecer comunicação com os seres humanos através de dispositivos técnico-comunicativos.

  • A fórmula da Equação de Drake é composta das seguintes condições:
  • N (numero de civilização avançadas na Via Láctea)
  • R* (número total de estrelas na Via Láctea)
  • Fp (fração de estrelas que têm planetas)
  • Ne (planetas de um sistema solar que são ecologicamente adequados para abrigar vida)
  • Fl (planetas onde a vida realmente surge)
  • Fi (fração de planetas habitados onde emerge seres inteligentes)
  • Fc (fração de planetas onde os seres inteligentes desenvolvem uma civilização técnica-comunicativa)
  • L (fração de planetas com civilizações técnicas).

A multiplicação entre todos esses valores corresponde como resultado o número de supostas diferentes civilizações inteligentes na Via Láctea.

Segundo o resultado baseado na suposição mais pessimista, existiram atualmente 10 planetas com seres vivos dotados de inteligência e capazes de estabelecer algum tipo de comunicação. Mas, na melhor das hipóteses, a Equação de Drake sugere que existam cerca de 100 mil civilizações capazes de estabelecer contato comunicativo apenas na nossa galáxia.

Tendo em conta este resultado, o questionamento de Fermi se torna mais intenso: “Onde estão eles?”.

Teorias do Paradoxo de Fermi

De acordo com a Escala de Kardashev – um método teórico de medição do nível tecnológico de avanço das civilizações numa perspectiva cósmica – poderiam existir três principais categorias de civilizações inteligentes no universo:

  • Civilização Tipo I: consiste na civilização desenvolvida ao nível de conseguir utilizar toda a energia de seu planeta. Os seres humanos, por exemplo, estariam enquadrados neste tipo de civilização.
  • Civilização Tipo II: conseguem absorver e utilizar a energia da estrela mais próxima de seu planeta. A civilização de Tipo II necessita estar altamente evoluída tecnologicamente em comparação aos seres humanos para conseguir atingir este nível.
  • Civilização Tipo III: este é considerada a civilização mais evoluída, de acordo com a Escala de Kardashev. Seriam capazes de utilizar a energia de toda a galáxia que habitam, um poder inimaginável para os seres humanos.

Levando em consideração a idade da Via Láctea, por exemplo, e os resultados da Equação de Drake, supostamente deveriam existir mil civilizações na nossa galáxia que já tivessem atingido o Tipo III da Escala de Kardashev.

No entanto, até o momento, nenhum contato extraterrestre foi feito, fazendo com que o Paradoxo de Fermi se torne ainda mais intrigante.

Teoria do Grande Filtro

Uma das teorias que tentam explicar a ausência de contato com outras civilizações mais evoluídas na galáxia é a “Teoria do Grande Filtro”.

De acordo com esta explicação, não existem civilizações do Tipo II ou Tipo III por causa de um evento particular catastrófico que impede a continuação dessas civilizações em alguma etapa ao longo do seu desenvolvimento.

O Grande Filtro seria um momento ao longo do processo evolutivo que impossibilitaria ou dificultaria extremamente a continuação da vida.

Com base na teoria do Grande Filtro surge uma nova questão: em que momento o Grande Filtro ocorre na história da evolução?

Existem três principais hipóteses:

1 - Os seres humanos já ultrapassaram o Grande Filtro, fazendo que o surgimento de vida inteligente na Terra seja um acontecimento extremamente raro.

2 – Não existem civilizações avançadas porque os seres humanos (e outras prováveis civilizações ao longo do Universo) sejam os primeiros a atingir o ápice do desenvolvimento evolutivo e tecnológico (Tipo II ou Tipo III). A partir desta explicação, os humanos seriam uma das primeiras civilizações a atingirem o status de super-inteligentes.

3 – O Grande Filtro ainda está por vir. Esta suposição supõe que um grande cataclisma futuro será o responsável por “filtrar” o avanço das espécies. Isso significa que o nível de evolução que os seres humanos já alcançaram não seria algo raro de se observar no Universo.

Teorias das Civilizações do Tipo II e III

Um outro grupo de explicações defende a existência de diversas civilizações do Tipo II e III no Universo, mas que teriam motivos específicos para que os humanos não conseguissem contacta-las.

Entre algumas das suposições está a ideia de que a Via Láctea é bastante populosa, mas como o planeta Terra estaria localizado numa região muito desolada da galáxia, não seria capaz de perceber a grande movimentação que realmente acontece para além de onde a tecnologia humana consegue observar.

Outra teoria assustadora defende a ideia de que existam civilizações predadoras no Universo, fazendo com que mesmo os seres mais avançados da galáxia se ocultem para evitar serem detectados por civilizações indesejadas.

Ainda há a “Hipótese do Zoológico” que diz existirem civilizações mais elevadas do que a nossa e que sabem da existência da vida na Terra, mas que se reservam em apenas observar tudo o que acontecesse no planeta.

Existem inúmeras teorias que tentam responder a pergunta feita por Fermi, desde as mais clichês até as ideias mais absurdamente criativas.

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