Significado do Poema Soneto de Fidelidade de Vinicius de Moraes

O que significa o Poema Soneto de Fidelidade de Vinicius de Moraes:

O poema Soneto de Fidelidade é um texto poético da autoria de Vinicius de Moraes, que aborda os sentimentos de amor e fidelidade em um relacionamento amoroso.

O poema é composto por 14 versos, organizados em 2 quartetos e 2 tercetos, sendo essa uma característica distintiva de um soneto.

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Análise do poema Soneto de Fidelidade

Relativamente à métrica ou escansão do poema, as quatro estrofes apresentam versos decassílabos (com 10 sílabas) e nas duas primeiras estrofes (que são quartetos) a rima é cruzada ou entrelaçada (primeiro verso rima com o quarto e o segundo rima com o terceiro). Nos tercetos, as rimas são misturadas.

Os dois tercetos apesar de separados, apresentam rima como se fossem um sexteto, sendo que as palavras do primeiro terceto rimam com palavras do segundo terceto: procure/dure, vive/tive, ama/chama.

Interpretação do poema Soneto de Fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

Neste trecho é dado destaque ao amor e ao zelo, que fazem parte da atitude de cuidar da pessoa amada, cultivando o amor para que ele não desapareça. Existe informação sobre o modo (com zelo), tempo (sempre) e intensidade (tanto).

Podemos identificar o sentimento de entrega total à pessoa amada, independentemente das circunstâncias e renunciando outras possibilidades de relacionamentos amorosos.

Aprenda mais sobre o significado de fidelidade.

E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

Verifica-se a antítese na indicação de sentimentos opostos: alegria (riso) e tristeza (pranto).

Uma possível interpretação é que o autor revela que todos os relacionamentos enfrentam desafios. Há dias bons e dias maus, pessoas por vezes entram em desacordo e conflito. Mas em todas as situações, o amor deve prevalecer, seja na alegria ou na tristeza.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama


Neste terceto, o autor aborda o fim das coisas, revelando que a morte pode causar o fim de um amor. Ao mesmo tempo, o poeta deseja que a morte e a solidão não cheguem cedo, para que possa desfrutar desse amor.

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

O autor utiliza uma metáfora para se referir ao amor, indicando que o amor é uma chama, e uma chama não dura para sempre: tem um princípio e um fim. Assim, fica expresso o desejo do poeta de aproveitar ao máximo o amor, enquanto ele existir.

Verifica-se um paradoxo com a utilização da palavra infinito para descrever algo que não dura para sempre. Neste caso a fidelidade é vista como a entrega total ao amor, enquanto ele dura, enquanto a chama está acesa.

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