Moral

A moral é um conjunto de regras, costumes e formas de pensar de um grupo social, que define o que devemos ou não devemos fazer em sociedade.

Etimologicamente, o termo moral tem origem no latim morales, cujo significado é “relativo aos costumes”. São as regras definidas pela moral que regulam o modo de agir das pessoas.

Toda vez que se fala em moral, é preciso pensar em coletividade. Isso porque as regras que a constroem são definidas por um grupo de pessoas, ou seja, pelo coletivo.

Este conjunto de regras é estabelecido quando a sociedade acredita que alguma atitude pode tornar a convivência social mais harmoniosa e pacífica, como por exemplo não roubar, ajudar o próximo, entre outras.

Então, quando um grupo de pessoas segue essas regras estabelecidas, ocorre a moralidade, que é a moral na prática cotidiana e social.

Porém, existem dois pontos importantes no processo de construção das regras:

1. A moral pode sofrer mudanças ao longo do tempo. Ou seja, algumas regras e deveres podem ser alterados, dependendo da evolução social e cultural de cada lugar.

Exemplo: Até o início do século XIX, era moralmente incorreto que as mulheres pudessem trabalhar fora.

2. A moral pode ser diferente em cada região. O mesmo conjunto de regras que existe na sociedade brasileira por exemplo, pode não se aplicar à sociedade japonesa.

É importante lembrar que dentro de uma mesma sociedade, há grupos sociais distintos que possuem diferentes valores morais, como por exemplo, as diferentes religiões, ideologias, culturas, famílias, entre outras.

A moral segundo a filosofia

Na filosofia, a moral é a parte que trata dos valores em si e o sentimento e ações do indivíduo, orientados por esses valores. São as decisões que o ser humano, no exercício de sua liberdade, toma sobre o que deve fazer ou não para manter o bem estar social.

Vários filósofos discutem e definem a moral ao longo do tempo. Principalmente a forma como os valores são interpretados e como os indivíduos agem em relação a esses valores socialmente construídos.

A moral segundo os filósofos Kant e Hegel

Para o filósofo Immanuel Kant (1724-1804), a moral é baseada em um conhecimento que já é próprio do ser humano. Neste caso, ele afirma que os indivíduos são capazes de julgar racionalmente se suas atitudes são boas ou más.

O filósofo afirmava que os princípios morais não podem variar e muito menos depender do contexto. Por isso, Kant acreditava que para alcançar as leis morais universais, o indivíduo deve agir pela razão, ou seja, que a sua ação precisa ser guiada pelo dever de cumprir algo correto e que é bom para todos.

O que Kant defende é que antes de qualquer ação, o indivíduo deveria pensar e analisar se aquela atitude fosse tomada por todos à sua volta, causaria o bem social. Sendo assim, o indivíduo não deixaria de fazer algo por medo das consequências ruins, e sim analisaria a ação como boa ou má.

Contrariando Kant, o filósofo alemão Friedrich Hegel (1770-1831) dividiu a moral em dois tipos:

  • a moral objetiva, que são as regras que constroem a moral, criadas dentro de uma sociedade, grupos religiosos e afins,
  • e a moral subjetiva, que é o desejo espontâneo de cada indivíduo de seguir as regra, com o intuito de manter uma sociedade em um clima de harmonia e paz.

Sendo assim, Hegel, diferente de Kant, definiu a moral como um conjunto de regras que deveriam possuir uma explicação lógica, para que cada indivíduo compreendesse o motivo de cada uma e as seguissem de maneira espontânea e não impositiva.

Geralmente, a moral é compreendida e analisada como algo puramente sociológico, ou seja, que não depende do sujeito. Nesta visão mais sociológica, acredita-se que ela pertence apenas à sociedade e a forma que ela constrói a moral.

Porém, na visão filosófica, a moral também está ligada ao indivíduo. Isso porque ele precisa aceitar o conjunto de regras criado, para assim reproduzi-lo. Ou seja, a moral se consolida realmente quando o indivíduo acredita naquele valor, aceita e o pratica.

Exemplos de moral

Não pegar algo que não é seu, mesmo que ninguém esteja olhando

Imagine que você está andando em sua cidade e encontre uma pilha de jornais, com edições do dia, sem pessoas ao redor para cobrar o valor. Ao lado da pilha, há uma cesta pequena e uma placa com o valor unitário da edição.

Neste caso, ao decidir levar uma das edições, você pode escolher colocar ou não o dinheiro. Por isso, a decisão de levar o jornal e pagar ou não por ele é uma questão moral. Moralmente, você sabe que o correto é pagar, mas pode optar por não fazer isso.

Ajudar as pessoas portadoras de necessidades especiais

Ao atravessar a rua você se depara com um portador de deficiência visual parado próximo à faixa de pedestres. Diante da moral, a atitude compreendida como correta seria você ajudá-lo a atravessar para o outro lado da via. Porém, você pode escolher fazer isso ou não, como no exemplo anterior.

Ser casado com dois cônjuges

Se você conhece ou já soube de alguém que seja casado com mais de uma pessoa, então conhece um caso incorreto de acordo com os valores morais da sociedade brasileira contemporânea.

No Brasil, um homem ter duas esposas, ou uma mulher ter dois maridos, é totalmente contra a moral e bons costumes do país, assegurado pela lei brasileira. Porém, na prática, há vários casos de pessoas casadas com mais de um cônjuge, que escolheram ir contra a moral.

Este caso é um exemplo de como a moral pode mudar em cada região. Lugares como a Arábia Saudita, Tanzânia e Sudão, a bigamia é aceita moralmente e faz parte do costume e da cultura local.

Veja também 6 exemplos de ética e moral.

O que são princípios morais e qual sua importância?

Os princípios morais são as regras e valores que determinam se a atitude de uma pessoa, seja na sociedade ou na sua convivência com o outro, é correta ou não.

Os princípios morais como a honestidade, a bondade, o respeito, a virtude, e etc, determinam o sentido moral de cada indivíduo. São valores universais que regem a conduta humana e as relações saudáveis e harmoniosas.

Numa sociedade sem princípios morais, as pessoas iriam valorizar apenas os seus sentimentos e desejos. Sendo assim, cada um faria o que fosse bom para si mesmo, sem qualquer preocupação com o resultado de suas ações.

Os princípios são importantes porque fornecem ao indivíduo o conhecimento das regras de boa convivência dentro de uma sociedade, e o estudo e reflexão destes princípios é a ética.

Diferença entre ética e moral

Enquanto a moral é o conjunto de regras criado dentro de uma sociedade, a ética é o estudo sobre os princípios que constroem e fundamentam a moral.

Ou seja, a ética é uma apuração mais reflexiva sobre os princípios que vão orientar as atitudes do indivíduo. Ela reflete, questiona e procura compreender os valores morais.

A ética faz com que o indivíduo não haja apenas por educação ou porque deve seguir as regras. Ela auxilia o indivíduo para compreender suas ações guiado por seu intelecto e convicções.

Basicamente, a moral responde a pergunta: o que devemos fazer?, enquanto a ética responde à por que devemos fazer isso?

Exemplo de ética e moral

Há poucas décadas atrás, era moralmente aceito que um professor ou professora corrigisse fisicamente seus alunos, através de palmatórias. Ao longo do tempo, este valor moral foi sendo questionado e apurado através da ética.

Foi a partir desta reflexão que outros valores surgiram trazendo a percepção de que a correção por palmatória era errada e considerada moralmente incorreta nos dias atuais.

Compreenda mais sobre as diferenças entre ética e moral.

O que significa a expressão “moral da história”?

Esta expressão normalmente é utilizada para apresentar algum tipo de lição ou ensinamento que uma história pretende transmitir. Seja ela a narrativa de um livro, série, filme ou até mesmo uma conversa cotidiana.

É muito comum encontrar histórias com lições morais em fábulas. Uma das mais conhecidas é a do Lobo em Pele de Cordeiro, uma citação bíblica muito famosa, recriada por outros escritores, e que tem por objetivo passar a moral de que as aparências enganam.

O que define alguém como imoral ou amoral?

Alguém pode ser classificado como imoral quando afronta e não segue as convenções morais da sua região.

Um indivíduo que escolhe furar a fila do banco ou não pagar por algum serviço, por exemplo, é considerado imoral porque não seguiu as regras morais do grupo social em que vive.

Já as pessoas amorais são aquelas que não possuem compreensão e capacidade de entendimento sobre as leis morais. Que não tem senso do que seja a moral ou até mesmo não tenham assimilado o código moral do grupo social em que vivem.

Exemplo: pessoas com deficiência psíquica, estrangeiros de diferentes culturas e até mesmo crianças.

Compreenda mais sobre imoralidade e amoralidade.

Veja também o significado de:

Data de atualização: 15/10/2020.