9 Exemplos de Introdução

Diante da dificuldade de começar um texto, seja ele um artigo de blog, uma notícia, uma resenha ou mesmo uma dissertação de vestibular, pode acontecer de errarmos a mão e desperdiçarmos a chance preciosa de cativar a atenção do leitor. Por isso, selecionamos 9 modelos de introdução bem interessantes e eficazes para quem quer aprimorar seus textos e fisgar o leitor logo na primeira linha.

1. Comece pelo mais importante

A mensagem que está por trás desse tipo de introdução é: vá direto ao ponto! Cumpra a promessa do seu texto sem rodeios, sem “encheção de linguiça”, como se diz, e entregue ao leitor, logo nas primeiras linhas, o principal do seu texto, como se faz numa notícia. Dá-se o nome de “pirâmide invertida” a esse tipo de estrutura, em que o mais importante vem sempre na frente.

Exemplo:

Esse tipo de introdução é útil para quem escreve na internet, em blogs e sites. Escolhemos como exemplo um conteúdo da área de biologia sobre as centopeias intitulado “Afinal, a centopeia (lacraia) é venenosa?”. O mais importante nesse artigo é a resposta à pergunta feita no título. Por isso, o artigo deve começar dando a resposta, sem enrolação.

Sim, a centopeia ou lacraia é venenosa! Sua picada é bem dolorosa e libera uma substância que é tóxica para os seres humanos. Geralmente, a picada da centopeia causa vermelhidão, dor e inchaço. Em casos mais graves, o envenenamento pode provocar calafrios, febre e até a necrose da área picada. Por isso, caso veja uma centopeia por aí, jamais tente pegá-la com as mãos.

Introdução de conteúdo do site Hipercultura.

2. Apresente o tema e exponha seu ponto de vista

Esse tipo de introdução é ideal para dissertações de vestibular e concursos, onde o autor deve, sem rodeios, apresentar o tema de sua redação e expor seu ponto de vista sobre o assunto em questão. Mas essa introdução também é boa para qualquer texto de caráter opinativo, cujo propósito é abordar uma situação-problema e expor uma opinião (tese). Artigos de opinião, editoriais e ensaios são exemplos de gêneros textuais onde esse modelo de introdução funciona bem.

Exemplo:

Imaginamos que o tema da sua redação seja “Por que as fake news são um mal à democracia?”. Sua introdução deve cumprir dupla função: apresentar o tema (de forma bastante objetiva e clara) e manifestar seu posicionamento sobre a questão.

Depois, ao longo do desenvolvimento, espera-se que você demonstre a validade de seu ponto de vista, trazendo argumentos relevantes que sustentem a sua tese apresentada inicialmente. Vejamos o exemplo abaixo:

As fake news produzem uma falsa realidade, geralmente construindo cenários irreais e inimigos fictícios. Por isso, nada mais danoso à construção de uma sociedade responsável politicamente do que a mentira. A mentira, que tornou algo tão corriqueiro no mundo virtual dos blogs e das redes sociais, afasta as pessoas dos problemas reais, fazendo com que elas tomem decisões guiadas pela ilusão, não pela razão.

Veja o Significado de Dissertação.

3. Faça perguntas

Fazer perguntas é uma forma de instigar a curiosidade do leitor. As perguntas cumprem a função de anunciar o tema e as principais questões que norteiam sua redação, despertando o interesse do leitor para o que vem a seguir: as respostas (ou ao menos tentativas de resposta). Ao longo do desenvolvimento, portanto, é fundamental retomar esses questionamentos iniciais (promessa feita é promessa cumprida).

Exemplo:

Suponhamos um conteúdo de internet sobre o tema: “Mistérios das pirâmides do Egito”. Vejamos como poderia ser uma introdução com perguntas:

Você sabe o que são as pirâmides do Egito? Sabe o que há lá dentro? Sabe como elas foram construídas e quais recursos foram utilizados para pôr em pé esses colossos de pedra? Essas e outras perguntas intrigam os seres humanos há milhares de anos. Vamos tentar respondê-las.

4. Instigue a curiosidade

Essa introdução é parecida com a anterior. Mas em vez da introdução trazer perguntas sem respostas (porque as respostas serão dadas depois), a ideia é fazer perguntas já apresentando algumas informações curiosas sobre um determinado assunto, na linha do “você sabia que…?”.

Nem é preciso dizer que esse tipo de introdução serve para atrair a atenção do leitor desde a primeira linha, instigando-o a querer explorar o conteúdo até o fim.

Exemplo:

Você sabia que a Pirâmide de Gizé, a maior do Egito, tem a altura de um prédio de 40 andares? Sabia que, diferentemente do que se pensa, não foram escravos que construíram esses imensos mausoléus de pedra? Essas são apenas algumas curiosidades impressionantes sobre essas construções milenares que intrigam especialistas até hoje.

5. Comece com uma citação

Citar também é uma boa opção de início de texto. Uma boa citação, além de introduzir o tema, confere credibilidade ao texto, pois demonstra que seu autor está se cercando de nomes de referência (os especialistas) na área do conhecimento na qual o texto se insere.

É importante que a citação seja bem escolhida - o que significa, antes de mais nada, que ela seja confiável. Além disso, a citação deve estar bem relacionada ao tema. Um cuidado que se deve tomar é não deixar a citação “solta”, sem articulação com o que virá em seguida.

Exemplo 1:

Numa dissertação de vestibular, esse recurso é conhecido como “argumento de autoridade”. É como se o autor tomasse de empréstimo uma afirmação ou depoimento de uma autoridade no assunto para dar maior embasamento ao seu ponto de vista. É o que acontece na introdução abaixo sobre o tema “Teorias da conspiração: inofensivas ou perigosas?”:

De acordo com o historiador alemão Michael Butter, teóricos da conspiração “são movidos por uma nostalgia pelo passado”. Isto é: tanto os teóricos da conspiração quanto as pessoas que acreditam neles recusam-se a aceitar as mudanças sociais, indispensáveis para a construção de uma sociedade mais justa. Por seu poder de influenciar comportamentos e até fomentar o ódio, as teorias da conspiração devem ser levadas muito a sério pelas pessoas.

Exemplo 2:

As citações não servem apenas para iniciar dissertações escolares. O produtor de conteúdo pode se valer desse recurso em outros tipos de texto, seja um copy de rede social, um texto opinativo ou uma resenha de filme, como no exemplo a seguir:

“Veja agora o que aconteceria se eles fossem libertados de suas correntes e curados de sua desrazão”, diz o filósofo Sócrates na alegoria da caverna, de Platão. Está por trás do enredo do filme Matrix, estrelado por Keanu Reeves, a ideia de que somos prisioneiros de uma realidade ilusória. Neo, interpretado por Reeves, pode ser visto como um “prisioneiro” que consegue se libertar do mundo de falsidade em que vivia - a única realidade que lhe fora apresentada - para ver as coisas tais como elas são.

6. Apresente dados estatísticos

Essa é uma forma bastante interessante de começar alguns tipos de texto, como a dissertação e o artigo de opinião, mas também pode servir para copies de redes sociais ou um texto de blog. Iniciar o texto com dados é uma forma bastante rápida e eficiente de chamar a atenção do leitor para um problema ou fenômeno da realidade sobre o qual você quer falar. Dados fornecem um "retrato" da realidade e, se forem bem usados, dão ao texto bastante credibilidade.

Exemplo:

Suponhamos que você queira fazer um texto sobre a forma como os brasileiros usam a internet e, em especial, as redes sociais. Seu texto poderia começar assim:

Segundo pesquisa Panorama Mobile Time/Opinion Box, o WhatsApp está instalado em quase 100% dos telefones celulares dos brasileiros. Além disso, 93% dos brasileiros usam esse aplicativo diariamente, o que só prova a importância que esse aplicativo de mensagens instantâneas tem nos dias de hoje.

7. Conte uma pequena história

Esse tipo de introdução é bastante usado em reportagens, mas também pode ser usado em em outros tipos de redação. É preciso que essa pequena narrativa seja relacionada ao tema e sirva como algo exemplar ou ponto de partida para o que será abordado na sequência. Essa pequena história pode vir de um trecho de livro, de filme ou da história de vida de uma pessoa.

Exemplo:

Suponhamos uma matéria sobre o dia a dia dos trabalhadores que dependem do transporte público nas grandes cidades. Esse texto poderia começar contando a rotina de uma dessas pessoas.

Arlete da Silva, 28 anos, acorda todos os dias às 5h da manhã, toma o café e, sem perder tempo, sai de casa para pegar o ônibus. “Quanto mais tarde eu saio, maior é o engarrafamento”, diz Arlete, que sonha um dia poder morar mais perto do centro da cidade, onde trabalha. Essa é a realidade de muitos outras pessoas que, como Arlete, enfrentam horas e horas de congestionamento todos os dias para poder trabalhar.

8. Enumere exemplos

Fazer uma pequena lista de exemplos no início do texto pode ser uma estratégia interessante, sobretudo em redações de caráter argumentativo. Quando bem escolhidos, os exemplos aproximam o texto do leitor, que imediatamente reconhece o teor daquilo que está sendo discutido. Bons exemplos são aqueles compartilhados por todos. Eles são facilmente reconhecidos pelo leitor pois fazem parte do seu dia a dia.

Exemplo:

Suponhamos uma redação que queira discutir os malefícios das teorias da conspiração nas sociedades democráticas. Esse texto pode começar dando exemplos de teorias da conspiração que circulam atualmente na internet.

O mundo é dominado por uma raça de répteis. O homem jamais pisou na Lua. A Terra é plana. Vacinas podem provocar autismo. Forças poderosíssimas querem apagar as fronteiras nacionais e submeter o mundo a um governo mundial totalitário: a Nova Ordem Mundial. Essas e outras teorias da conspiração, de tão fantasiosas, chegam a provocar risos. Mas isso não quer dizer que elas sejam inofensivas. Pelo contrário: há teorias da conspiração que representam sérios riscos à saúde pública e às liberdades democráticas.

9. Mostre empatia

Mostrar empatia é sempre desejável num texto, seja qual for o gênero. Afinal (à exceção do diário), escrevemos para leitores e queremos corresponder em algum nível às suas necessidades, anseios e dúvidas.

Existe uma forma de introduzir textos cuja estratégia é pôr a empatia em primeiro lugar. Nesse tipo de introdução, o autor dirige-se ao leitor, põe-se ao seu lado, simulando uma situação de diálogo. Para fazer isso bem, é preciso conhecer bem seus leitores (público-alvo).

Exemplo:

Você costuma mexer no celular logo que acorda? Chega a interromper o almoço para dar aquela conferida na mensagem que chegou no WhatsApp? Passa minutos a fio rodando a time line do Facebook sem saber muito bem a hora de parar? Pois saiba que você não está sozinho nessa. O documentário O Dilema das Redes escancara de uma forma bastante didática esse vício contemporâneo que atinge bilhões de pessoas ao redor do mundo e que, ao que tudo indica, veio para ficar.

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Data de atualização: 11/01/2021.