Exemplos de Metodologia

Pedro Menezes
Pedro Menezes
Professor de Filosofia, Mestre em Ciências da Educação

Para o desenvolvimento do capítulo da metodologia de um TCC ou qualquer trabalho acadêmico é preciso responder a duas questões fundamentais:

Como foi feito o processo de recolha de dados?

Como foi feita a análise dos dados recolhidos?

Uma boa metodologia é aquela que possui coerência entre aquilo que se pretende conhecer e o modo como foram extraídas as informações que possam responder a esse problema.

1. Exemplo de pesquisa exploratória qualitativa

O presente estudo realizou uma pesquisa exploratória com 10 jovens do sexo masculino e com idades compreendidas entre os 10 e os 17 anos vivendo em casas de acolhimento, sem contato com os respectivos progenitores.

[As pesquisas exploratórias são enquadradas pela coleta de informação de um contexto desconhecido. Essa ideia deve estar presente no texto quando se propõe a esse tipo de abordagem metodológica.]

A escolha desses participantes foi realizada a partir da compreensão de que esses jovens são capazes de fornecer informações importantes para futuros projetos e ações interventivas com jovens institucionalizados.

O método utilizado para a recolha de dados contou com o desenvolvimento de uma observação participante, bem como a realização de conversas intencionais com os jovens, durante o período de dois meses. Optou-se por realizar uma análise qualitativa dos dados através da análise temática (ver Braun e Clarke, 2012), que permitiu a identificação dos principais temas abordados nas conversas.

[Importante! Não deve haver contradições entre os métodos aplicados. A observação participante e as conversas intencionais podem gerar conteúdos para uma análise temática. Todas essas estratégias partem da subjetividade de quem investiga, configurando-se como um método qualitativo.]

A entrada no contexto foi oportunizada pela associação responsável pela casa de acolhimento. Foi informado aos jovens que o investigador desenvolveria um projeto cultural no qual a participação seria opcional. Os jovens dispostos à participação receberam um documento (consentimento informado, anexo I) no qual informava as atividades realizadas ao longo de dois meses, com encontros todas as terças e quintas-feiras, e os objetivos da pesquisa, bem como informava aos jovens que poderiam desistir da participação a qualquer momento.

Foi informado aos jovens que a pesquisa contava com um compromisso de confidencialidade e, para garantir a preservação de suas identidades, deveriam atribuir a si mesmos um pseudônimo, que seria utilizado no estudo.

[Importante! Deve-se desenvolver uma descrição rica de todos os aspectos analisados: contexto, participantes, posicionamento de quem investiga e a forma como se desenvolve a análise.]

2. Exemplo de pesquisa descritiva quantitativa

O presente estudo realizou uma pesquisa descritiva quantitativa a partir de um questionário estruturado realizado com 2500 pessoas entre os dias 15 e 30 de março de 2020. O inquérito pretende medir o tempo de utilização das redes sociais por jovens de faixa etária compreendida entre 18 e 25 anos.

[Em uma pesquisa descritiva, não há espaço para a subjetividade da pessoa que faz o estudo. O objetivo principal é apresentar a questão investigada como ela se apresenta. Como se trata de uma pesquisa quantitativa, a ideia presente no texto é realizar uma medição. Note-se que há uma coerência na abordagem: medir e descrever.]

Também pretende-se perceber a utilização feita por esses jovens na internet, correlacionando com diferentes graus de escolaridade e aspectos sócio-culturais.

Os dados foram coletados a partir do método survey (ver Lumley, 2011), com um questionário estruturado composto de 20 perguntas objetivas, que visaram descrever o grau de escolaridade desses jovens, condições sócio-culturais e a quantidade de tempo diária de utilização das diferentes redes sociais.

Os dados coletados são uma amostra representativa da população da cidade de São Paulo, que permitiu uma análise com um bom nível de acuidade.

[Em uma pesquisa quantitativa, existem estratégias específicas para alcançar os objetivos desejados. Para isso, o número de participantes deve ser mais alargado representativo do grupo estudado, diferente de uma pesquisa qualitativa que pode ser feita com poucas pessoas e há uma maior relevância da forma como as informações são interpretadas.]

O processo de análise dos dados coletados foi realizado através do software de análise de dados (SPSS). A amostra foi agrupada de quatro formas distintas:

  • Grau de escolaridade
  • Faixa de consumo padrão
  • Zona de moradia
  • Zona de trabalho

Esses dados forma cruzados com o tempo de utilização diária das redes sociais classificadas em:

  • Não utilizo ou menos de 15 minutos
  • Entre 15 minutos e 1 hora
  • Entre 1 hora e 2 horas
  • Entre 2 horas e 5 horas
  • Mais de 5 horas

Os respectivos resultados serão apresentados no próximo capítulo.

3. Exemplo de pesquisa documental quali-quanti

O presente estudo é constituído por uma análise documental (Cellard, 2008) centrada nas questões sobre a legislação presente no Código de Trânsito Brasileiro relacionadas ao uso de bebidas alcoólicas na condução de veículos automotores.

A pesquisa parte de um cruzamento de informações relativas à quantidade de acidentes de trânsito com mortes e a possível alteração dessas ocorrências em função das mudanças na legislação.

[As pesquisas chamadas de quali-quanti são metodologias mistas realizadas em dois momentos. Uma coleta e análise de dados objetivas e uma coleta e análise qualitativa.]

Todos os dados presentes no estudo são dados públicos e de acesso garantido aos cidadãos. Permitindo a verificação dos resultados obtidos e os métodos empregados para a sua aquisição.

A legislação que versa sobre o consumo de bebidas alcoólicas por condutores de veículos está presente na Lei n. 9.503/97, mas apenas em 2008 (Lei nº 11.705, de 19 de junho de 2008) institui a alcoolemia zero, ou seja, proíbe o consumo de bebidas alcoólicas associado à direção.

Assim, a pesquisa faz uma análise comparativa entre a instituições e mudanças presentes na legislação com os dados fornecidos pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Os documentos analisados sobre o número de acidentes de trânsito relacionados com o consumo de bebidas alcoólicas foi cruzado com as alterações na legislação de trânsito entre o ano de 2005 e 2020.

A análise dos dados coletados permitiu estabelecer relações causais entre as alterações legislativas e o número de acidentes do período estudado.

Em um segundo momento foram realizadas cinco entrevistas semi-estruturadas com familiares de pessoas que perderam familiares em acidentes de trânsito relacionados com o consumo de bebidas alcoólicas. A escolha dos participantes se deu a partir de convites em ONGs de apoio a vítimas de trânsito.

As entrevistas geraram um extenso material que foi analisado com base na análise de conteúdo descrita por Laurence Bardin (1991), que permitiu interpretar e evidenciar algumas estruturas básicas fundamentais a partir das falas dos familiares e suas percepções das leis de trânsito em vigor.

Assim, coube ao analista atribuir um significado à validade deste tipo de proposta legislativa em relação à atuação e à forma de ser e estar na sociedade, bem como, as restrições às liberdades em prol do bem comum e da saúde dos cidadãos.

[Importante! Deve-se reforçar a análise feita pela pessoa realiza a investigação composta por abordagens quantitativas e qualitativas.]

Veja também:

Data de atualização: 26/02/2021.


Pedro Menezes
Pedro Menezes
Licenciado em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Mestre em Ciências da Educação pela Universidade do Porto (FPCEUP).