Significado de Modos de Produção

Juliana Bezerra
Revisão por Juliana BezerraProfessora de História
Escrito por Stella Sousa

O que são Modos de Produção:

Os modos de produção referem-se à maneira pela qual os seres humanos produzem coletivamente os seus meios de subsistência e se associam economicamente em sociedade.

Um modo de produção é baseado no sistema socioeconômico predominante e pode ser dividido em:

  • Produção: a maneira como a sociedade se constrói e se desenvolve para sobreviver através dos recursos materiais;
  • Circulação: o modo como a sociedade faz circular a mercadoria, ou seja, como acontece o intercâmbio e a troca dos produtos produzidos;
  • Consumo: a forma como as diferentes classes sociais consomem as mercadorias produzidas.

O termo foi cunhado pelo filósofo Karl Marx e nada mais é do que a união de forças produtivas e relações sociais de produção.

As forças produtivas incluem todos os elementos que são reunidos na produção, como por exemplo, a terra, a matéria-prima e o combustível, além da habilidade humana na mão de obra, máquinas, ferramentas e as fábricas.

Por sua vez, as relações sociais de produção incluem os relacionamentos entre as pessoas e a interação das pessoas com as forças produtivas através das quais são tomadas decisões sobre o que fazer com os seus resultados.

Os modos de produção segundo Karl Marx

Marx acreditava que a história humana poderia ser caracterizada pelos modos dominantes de produção e estava interessado em fornecer uma estrutura analítica para defini-los.

O autor também queria sustentar esses modos em uma teoria, através do desenvolvimento histórico.

marxokFilósofo, sociólogo e jornalista Karl Marx.

Os tipos de modos de produção

Segundo Marx, a história da humanidade é constituída de uma sucessão de modos de produção de bens para satisfazer as necessidades humanas. Sendo assim, as formas de produção, circulação e consumo foram sendo modificadas ao longo da história.

Abaixo estão listados os principais modos de produção e suas características.

Modo de Produção Primitivo

Foi o modo de produção mais antigo, duradouro e geograficamente distribuído. Ocorreu ao longo da pré-história e foi estruturado com o objetivo de organizar a forma como os primeiros seres humanos se alimentavam e se relacionavam em comunidade.

Neste modo de produção, todos trabalhavam juntos e recebiam a mesma recompensa pelos bens produzidos.

Não havia classes sociais ou Estado, ou mesmo mercadoria e dinheiro. As trocas dos bens eram feitas de maneira simples e quase sempre em caráter celebrativo e solidário.

Modo de Produção Asiático (ou tributário)

Este modo de produção ocorreu principalmente na Ásia, África e Américas. Os exemplos mais conhecidos são as civilizações Egípcia, Chinesa, Incas, Maias e Astecas.

Nesse modo de produção, os bens eram fabricados pela população e uma parte deles era confiscada pelo Estado por meio de tributos.

Este era cobrado na forma de parte da produção ou mão de obra para a construção de obras públicas, como estradas, muralhas, monumentos, entre outros.

É nesse modo que começam as surgir diferentes classes sociais e a supremacia de um pequeno grupo que detinha o poder político e econômico. Nesta época surgem também o dinheiro e a escrita.

Modo de produção Escravista Antigo

O modo de produção escravista antigo ocorreu principalmente na Europa, na Grécia e na Roma Antigas. Nesse período existiam diferentes classes sociais, sendo divididas em:

  • Escravos: trabalhavam e produziam a maior parte de tudo o que se consumia;
  • Senhores de escravos: uma minoria que ordenava e organizava a mão de obra diária, além de usufruir de forma desigual de tudo aquilo que era produzido pelos escravos;
  • Trabalhadores livres (plebeus): produziam para o autoconsumo e a troca do excedente.

Modo de produção feudal (ou feudalismo)

Ocorreu principalmente na Europa, depois da decadência do escravismo. Era uma forma de vida sustentada pela produção camponesa.

O comércio era realizado em feiras com o excedente da produção. Os camponeses não eram os donos da terra que viviam e cultivavam e eram impedidos de compra-las dos seus senhores.

Os proprietários das terras, senhores feudais e aristocratas, exigiam parte da produção e dos dias de trabalho em troca da proteção da vida dos camponeses.

O feudalismo se extinguiu quando os comerciantes se enriqueceram e, ao acumularem poder econômico, passaram a querer o controle e poder político.

Modo de produção capitalista

O capitalismo surgiu com o fim do feudalismo. Ele se caracteriza por transformar o trabalho em mercadoria por meio do processo de assalariamento da força de trabalho.

A importante transição que levou à expansão do capitalismo em todo o mundo através do colonialismo foi a concentração do poder capitalista através da fusão da autoridade do Estado e do capital.

O capitalismo é baseado na propriedade privada de empresas como fábricas, plantações, minas, escritórios ou lojas e na operação desses ativos para fins lucrativos.

Outros elementos dos meios de produção, como mão de obra, terra, tecnologia e capital, também são transformados em propriedade privada e podem ser comprados e vendidos. O trabalho é muito mais importante para a produção.

O modo de produção capitalista usa o dinheiro para comprar mão de obra e combina essa mercadoria com outros insumos, como terra, matérias-primas, etc., para produzir novos bens e serviços.

Os empresários também lucram com o trabalho do proletariado, porque controlam os meios de produção.

Modo de Produção Socialista

Baseado nas teorias de Karl Marx e Friederich Engels do século XIX, o modo de produção socialista foi criado com o intuito de rivalizar com o modo de produção capitalista.

O plano central desse modo de produção é criar uma economia planificada, acabando com a lei de oferta e procura criada no capitalismo. Esse tipo de economia extinguiria a desigualdade entre os grupos sociais.

O maior foco da produção socialista é acabar com a burguesia e promover a chamada "ditadura do proletariado", onde as classes trabalhadoras passariam a ter o controle do Estado, deixando de estar abaixo da burguesia.

Aqui, a propriedade privada é eliminada e o padrão de "terra comum" é estabelecido. Esse modo de produção é intitulado por Marx e Engels como o caminho para o comunismo.

Durante o século XX, o modo de produção socialista saiu da teoria e passou a ser praticado na Rússia, China, Cuba, Coreia do Norte e parte do Leste Europeu.

Porém, os únicos que permanecem em prática até os dias de hoje são Cuba e Coreia do Norte.

Modo de Produção Comunista

Marx citou em suas obras que, após um certo período, o modo de produção capitalista declinaria por conta de uma super produção e a oferta passaria a ser maior do que a demanda.

Por esse motivo, o modo de produção socialista assumiria o novo estilo de produção mundial, alterando-se gradativamente para o modo de produção comunista.

Nesse período, Marx descreve uma sociedade sem classes sociais, com meios de produção públicos ou coletivos e a extinção da hierarquia nas forças produtivas.

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Data de atualização: 05/04/2019.

Juliana Bezerra
Revisão por Juliana Bezerra
Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ. Especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ. Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha.