Animismo

Pedro Menezes
Revisão por Pedro Menezes
Professor de Filosofia, Mestre em Ciências da Educação

O que é o animismo:

É a ideia de que todas as coisas, incluindo pessoas, animais, características geográficas, fenômenos naturais e objetos inanimados, possuem um espírito que os conecta uns aos outros.

É uma construção antropológica usada para identificar traços comuns de espiritualidade entre diferentes sistemas de crenças.

Na maioria dos casos, o animismo não é considerado uma religião em si, mas sim uma característica de várias práticas e crenças

Esse termo foi cunhado pela primeira vez em 1871, e é considerado uma característica fundamental em muitas religiões antigas, especialmente de culturas tribais indígenas.

Atualmente, pode ser identificado de diferentes formas nas principais religiões do mundo moderno.

Origem do animismo

Os historiadores acreditam que o animismo é fundamental para a espiritualidade humana, que remonta ao período paleolítico e os hominídeos que existiam naquela época.

Historicamente, tentativas foram feitas para definir a experiência espiritual humana por filósofos e líderes religiosos. Por volta de 400 a.C., Pitágoras discutiu a conexão e união entre a alma individual e a alma divina, indicando uma crença em uma "alma" abrangente de humanos e objetos.

Acredita-se que ele tenha aprimorado essas crenças enquanto estudava com antigos egípcios, cuja reverência pela vida na natureza e personificação da morte indicam fortes crenças animistas.

Aristóteles definiu os seres vivos como as coisas que possuem um espírito em Sobre a Alma, publicado em 350 a.C.

A ideia de um animus mundi, ou uma alma do mundo, é derivada desses antigos filósofos, e foi objeto de pensamento filosófico e, depois, científico, por séculos, antes de ser claramente definido no final do século XIX.

Embora muitos pensadores quisessem identificar a conexão entre os mundos natural e sobrenatural, a definição moderna de animismo não foi cunhada até 1871, quando Edward Burnett Tylor a usou em seu livro, Cultura Primitiva, para definir as práticas religiosas mais antigas.

Edward Burnett TylerEdward Burnett Tyler, antropólogo britânico.

O animismo dentro das religiões

Como resultado do trabalho de Tyler, o animismo é comumente associado a culturas primitivas, mas elementos do animismo podem ser observados nas principais religiões organizadas do mundo.

O xintoísmo, por exemplo, é a religião tradicional do Japão praticada por mais de 112 milhões de pessoas. Em seu âmago está a crença em espíritos, conhecidos como kami, que habitam todas as coisas, uma crença que liga o xintoísmo moderno a antigas práticas animistas.

Nas comunidades tribais indígenas australianas, existe uma forte tradição totemista. O totem, geralmente uma planta ou um animal, possui poderes sobrenaturais e é considerado reverência como emblema ou símbolo da comunidade tribal.

Muitas vezes, existem tabus sobre tocar, comer ou ferir o totem. A fonte do espírito do totem é a entidade viva, a planta ou o animal, e não um objeto inanimado.

Em contraste, os inuítes, povo esquimó da região ártica do Alasca à Groenlândia, acreditam que os espíritos podem possuir qualquer entidade, animado, inanimado, vivos ou mortos.

A crença na espiritualidade é muito mais ampla e holística, pois o espírito não é dependente da planta ou animal, é a entidade que depende do espírito que a habita.

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Pedro Menezes
Revisão por Pedro Menezes
Licenciado em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Mestre em Ciências da Educação pela Universidade do Porto (FPCEUP).