Tipos de pesquisa

Carla Muniz
Revisão científica por Carla Muniz
Professora licenciada em Letras

Existem diferentes tipos de pesquisa são aplicados de acordo com o objetivo e abordagem que o pesquisador deseja utilizar como método científico do seu estudo.

Para saber qual o tipo mais adequado, o investigador precisa considerar a finalidade e o objetivo do seu trabalho, a abordagem que deseja usar, e os procedimentos escolhidos.

Pesquisa científica

Engloba todos os tipos de pesquisa que se baseiam em procedimentos de caráter científico para a obtenção dos resultados.

É um processo que trabalha com a lógica aplicada na ciência: envolve a descoberta de um novo conhecimento, a correção de algum conhecimento já existente ou o acréscimo de elementos a um estudo já existente.

Todas as pesquisas feitas no âmbito acadêmico podem ser consideradas científicas, e são categorizadas em diferentes metodologias, de acordo com o objetivo, finalidade e estrutura que seguem.

Classificações da pesquisa científica

No que diz respeito a sua finalidade, ou seja, ao tipo de contribuição que o estudo trará para a ciência, a pesquisa científica pode ser classificada em:

  • Pesquisa básica e pesquisa aplicada.

Do ponto de vista da abordagem usada pelo pesquisador no estudo, este pode ser categorizado em:

  • Pesquisa qualitativa, quantitativa ou quali-quantitativa.

A terceira forma de classificar uma pesquisa científica é através dos seus objetivos, ou seja, por meio do tipo de conhecimento que o pesquisador quer produzir:

  • Pesquisa exploratória, pesquisa descritiva e pesquisa explicativa.

Por fim, a pesquisa científica também pode ser classificada de acordo com os procedimentos para utilizados para a coleta de informação. Existem diversos, sendo os mais comuns:

  • pesquisa bibliográfica;
  • pesquisa bibliográfica;
  • pesquisa documental;
  • estudo de caso;
  • pesquisa ex post facto;
  • pesquisa de campo, entre outras.

Ressalta-se que uma pesquisa pode ter mais do que um tipo de procedimento, fazendo com que um sirva como complemento do outro.

Saiba mais sobre Pesquisa científica e estudo de caso.

Pesquisa básica

É um dos tipos de pesquisa mais comuns no âmbito acadêmico, principalmente em Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC).

É orientada para o aprofundamento de um conhecimento científico que já foi estudado. Normalmente, o pesquisador que faz um estudo com essa finalidade busca complementar algum aspecto ou alguma particularidade da pesquisa anteriormente feita.

Esse é um tipo de pesquisa teórica, que requer obrigatoriamente uma revisão bibliográfica e ideias apresentadas de modo sistematizado.

A pesquisa básica ainda pode ser subdivida em pura e estratégica, dependendo do seu foco de análise.

Pesquisa básica pura

É um tipo de pesquisa voltado exclusivamente para o meio acadêmico, sem qualquer tipo de intenção de alterar a realidade.

Consiste em um estudo totalmente teórico, onde o autor não se preocupa em como os resultados de suas pesquisas poderão ser utilizados posteriormente.

Pesquisa básica estratégica

Diferentemente da pesquisa básica pura, na estratégica o pesquisador tem em mente a possibilidade de produzir um conhecimento útil que possa ser, eventualmente, utilizado em estudos práticos.

O autor não apresenta soluções para essas questões, mas recomenda a construção de futuros estudos que possam resolver esses problemas, por exemplo.

Pesquisa aplicada

Ao contrário da pesquisa básica, a aplicada visa produzir um conhecimento que possa ser efetivamente aplicado, ajudando a alterar uma situação, um fenômeno ou um sistema.

A pesquisa aplicada pode ser um complemento ou aprofundamento sobre um assunto previamente estudado. No entanto, a proposta é apresentar alternativas que ajudem a melhorar ou transformar, por exemplo, determinado aspecto do seu objeto de estudo.

Um exemplo de pesquisa aplicada seria uma Investigação de tipos de tratamentos eficazes para a redução da depressão.

Pesquisa quantitativa

Esse tipo de metodologia é caracterizado por usar técnicas e ferramentas estatísticas como principal meio de análise dos dados obtidos em uma pesquisa.

O pesquisador se limita a coletar informações que sejam quantificáveis e aplicá-las em softwares (ou outras ferramentas técnicas) que analisam esses dados.

O investigador é um observador e não deve analisar subjetivamente os números obtidos. A sua função se limita a apresentar os resultados de modo estruturado, com ajuda de tabelas e gráficos, por exemplo.

Para obter os dados necessários em uma pesquisa quantitativa, o pesquisador utiliza questionários de múltipla escolha ou outras opções que garantam respostas objetivas e claras.

Esse tipo de pesquisa é muito utilizada em estudos de mestrado e doutorado, principalmente na área das Ciências Exatas.

Saiba mais sobre a Pesquisa quantitativa.

Pesquisa qualitativa

Nesse tipo de pesquisa, o responsável por fazer a análise das informações coletadas é o próprio pesquisador. Ela se caracteriza por coletar e interpretar as respostas subjetivas dos entrevistados.

As técnicas e os métodos estatísticos são dispensados nesse modelo, visto que o investigador se foca em características mais complexas e não-quantificáveis, como o comportamento, as expressões, os sentimentos, etc.

Nesse caso, os meios de obter os dados são menos rígidos e objetivos. Os questionários, por exemplo, podem ter espaços para respostas subjetivas, flexíveis e de múltiplas interpretações.

Essa metodologia é comum em cursos de Ciências Humanas, principalmente durante a graduação.

Saiba mais sobre a Pesquisa qualitativa.

Pesquisa mista ou Pesquisa quali-quantitativa

É uma mistura entre as características da pesquisa qualitativa e da pesquisa quantitativa.

Nesse caso, o estudo pode ser dividido em duas partes:

  1. Recolha de dados e respectiva análise estatística;
  2. Análise subjetiva de determinada problemática.

Um exemplo de pesquisa quali-quantitativa seria uma análise dos motivos das gestantes darem à luz através da cesariana e não parto normal, em alguma cidade específica.

Essa pesquisa necessita da coleta dos relatos das mulheres que passaram por essa experiência.

Pesquisa descritiva

A pesquisa descritiva é focada em descrever um estudo ou conhecimento que já existente.

Uma pesquisa é descritiva quando o objetivo é esclarecer ao máximo um assunto que já é conhecido, descrevendo tudo sobre ele. Nesse caso, o pesquisador deve fazer uma forte revisão teórica envolvendo o seu objeto de estudo, e deve analisar e comparar as informações.

Por fim, cabe ao autor da pesquisa traçar a sua conclusão sobre as diferentes variáveis analisadas.

A pesquisa descritiva costuma ser muito comum nos cursos de graduação, principalmente nos Trabalhos de Conclusão de Curso.

Saiba mais sobre a Pesquisa descritiva.

Pesquisa exploratória

A proposta da pesquisa exploratória é identificar algo, ou seja, um possível objeto de estudo ou uma problematização que poderá ser alvo de futuras pesquisas.

Por norma, esse tipo de pesquisa serve para aproximar a comunidade científica de algo (fenômeno, sistema, objeto, etc) desconhecido ou pouco explorado.

Ao contrário da pesquisa descritiva, o assunto analisado na exploratória não é sistematizado. Isso significa que representa uma pesquisa mais inovadora e pioneira.

A pesquisa exploratória é útil quando não há muita informação disponível sobre o objeto de estudo, e faz com que o investigador misture o máximo de referências bibliográficas com outros métodos, como entrevistas, pesquisa documental, etc.

Um caso de pesquisa exploratória seria, por exemplo, um pesquisador que quer abordar pelo que e como os jovens chegaram ao grande evento político brasileiro das Diretas Já.

Para isso, o pesquisador deverá entrevistar pessoas que participaram deste evento, explorar suas experiências e pensamentos sobre o assunto.

Saiba mais sobre a Pesquisa exploratória.

Pesquisa explicativa

O principal objetivo da pesquisa explicativa é explicar e racionalizar o objeto de estudo; ela busca a construção de um conhecimento totalmente novo. Para isso, é preciso a junção de muitos dados bibliográficos e resultados obtidos a partir de pesquisas experimentais, por exemplo.

Esse é um tipo de pesquisa mais complexa, normalmente é considerada o "amadurecimento" de uma prévia pesquisa descritiva ou exploratória. Por esse motivo, costuma ser mais comum em teses de doutorado ou mestrado.

Saiba mais sobre as principais diferenças entre a Pesquisa descritiva, exploratória e explicativa.

Pesquisa bibliográfica

A pesquisa bibliográfica consiste na coleta de informações a partir de textos, livros, artigos e demais materiais de caráter científico. Esses dados são usados no estudo sob forma de citações e referências, e servem de embasamento para o desenvolvimento do assunto pesquisado.

Partindo do ponto de vista dos procedimentos técnicos, a pesquisa bibliográfica é uma das mais comuns. E é considerada obrigatória em quase todos os moldes de trabalhos científicos.

Trata-se de um método teórico focado em analisar os ângulos distintos que um mesmo problema pode ter, e onde são consultados autores com diferentes pontos de vista sobre um mesmo assunto.

Posteriormente, o investigador deverá comparar as informações levantadas e, a partir de então, construir as suas observações e conclusões.

Saiba mais sobre a Pesquisa bibliográfica.

Pesquisa documental

Na pesquisa documental, qualquer documento com conteúdo informacional útil para a pesquisa pode ser usado, como jornais, revistas, catálogos, fotografias, atas, etc.

Normalmente, esse tipo de pesquisa é usado juntamente com a pesquisa bibliográfica. Assim, cria-se um vínculo entre o discurso teórico e a realidade apresentada nos documentos não-científicos, por exemplo.

Similar à pesquisa bibliográfica, a documental não se restringe apenas à coleta de informações de caráter científico.

Um exemplo de pesquisa documental seria se um pesquisar quisesse relacionar o período da Ditadura Militar no Brasil, com as consequências nas histórias das famílias dos torturados e executados na época.

Saiba mais sobre Pesquisa documental.

Estudo de caso

Ao contrário da pesquisa documental e bibliográfica, no estudo de caso o procedimento é empírico, ou seja, não se restringe ao levantamento de informações teóricas, e considera observações e experiências.

Esse tipo de pesquisa aprofunda a investigação sobre algum aspecto específico de determinado tema (indivíduo, fenômeno, ambiente, etc).

Os resultados obtidos com o estudo de caso não devem ser generalizadores. Ou seja, não podem ser usados para representar todos os elementos; fazem referência àqueles que foram diretamente investigados.

O estudo sobre uma campanha de marketing específica de uma empresa pode ser um exemplo de estudo de caso. O investigador deverá coletar informações através de questionários, entrevistas, etc. Depois, deve fazer uma crítica qualitativa dos dados levantados, com o objetivo de encontrar aspectos negativos, positivos e demais repercussões sobre o assunto.

Pesquisa experimental

Também é uma pesquisa empírica. É comum em pesquisas laboratoriais, onde o investigador tem controle das variáveis e simula situações que deverão ser observadas e analisadas.

Normalmente, na pesquisa experimental o pesquisador compara diferentes variáveis com o objetivo de traçar um perfil, refutar hipóteses ou aprovar teorias.

Um dos exemplos mais comuns de pesquisa experimental são as pesquisas de laboratório.

Pesquisa de campo

Ao contrário da pesquisa laboratorial, na pesquisa de campo o pesquisador vai até o ambiente natural do seu objeto de estudo.

O investigador deixa de ter total controle sobre as variáveis, se limitando a observar, identificar e coletar informações sobre o seu objeto de estudo no seu respectivo contexto original de vivência.

Nos trabalhos acadêmicos, a pesquisa de campo deve ser uma etapa posterior à pesquisa bibliográfica. O investigador deve estar preparado com o máximo de informações teóricas sobre o assunto que envolve o seu objeto de estudo.

Um exemplo da pesquisa de campo seria a relação das lesões no corpo dos atletas de alto nível, como os jogadores de futebol.

Saiba mais sobre a Pesquisa de campo.

Pesquisa ex post facto

Esse é um tipo de pesquisa feito após a ocorrência de alguma das variáveis / fenômenos a partir de um fato ocorrido no passado.

Neste caso, a pesquisa ex post facto investiga uma causa e efeito de algo que aconteceu em um dado momento e as suas consequências.

O seu propósito é entender como tal fato foi capaz de alterar determinado fenômeno que teve lugar posteriormente. Nesse caso, o pesquisador não tem controle da variável, visto que ela já aconteceu.

Um exemplo de pesquisa ex post facto, seria a análise das trocas de governo, fenômenos da natureza, como tsunami, entre outras.

Pesquisa levantamento

Nesse tipo de pesquisa, o investigador se limita a verificar o comportamento/a interação de determinado grupo. O uso de questionários é comum para coletar dados.

Ao contrário do estudo de caso, a pesquisa de levantamento busca generalizar um resultado com base nas respostas obtidas.

Trata-se de uma pesquisa quantitativa, visto que não há um detalhamento dos dados, mas sim uma apresentação de seus aspectos gerais. Um exemplo típico é a pesquisa de intenções de voto antes das eleições.

Pesquisa-ação

É um tipo de pesquisa de campo em que o investigador se envolve diretamente com o objeto de estudo. Em outras palavras, há a interferência do pesquisador para que ocorra uma mudança no meio.

Para isso, o autor da pesquisa precisa identificar um problema (prático), criar um plano de ações para solucionar essa questão e, depois, analisar as alterações que o seu projeto trouxe para o ambiente.

Um exemplo de pesquisa-ação seria observar os comportamentos que levam o mau gerenciamento financeiro nas famílias brasileiras.

Pesquisa participante

Ao contrário da pesquisa-ação, na pesquisa participante o investigador não precisa ter um plano para interferir na realidade do ambiente.

Neste tipo de pesquisa, há a interação do investigador com a comunidade ou grupo que o investigador está pesquisando.

Esse tipo de pesquisa é baseado na máxima integração do participante com o ambiente natural que envolve o seu objeto de estudo. Assim, o pesquisador consegue absorver melhor conhecimentos mais complexos e profundos sobre o assunto pesquisado.

Leia mais sobre o significado de Pesquisa e como fazer a metodologia para o TCC.

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Carla Muniz
Revisão científica por Carla Muniz
Professora, lexicógrafa, tradutora, produtora de conteúdos e revisora. Licenciada em Letras (Português, Inglês e Literaturas) pelas Faculdades Integradas Simonsen, em 2002.