Significado de Criticismo

Pedro Menezes
Revisão por Pedro MenezesProfessor de Filosofia

O que é Criticismo:

Criticismo é uma doutrina filosófica que nega todo o conhecimento cujos fundamentos não tenham sido analisados criticamente. Elaborada pelo filósofo iluminista Immanuel Kant (1724-1804), essa doutrina também é conhecida por Criticismo Kantiano.

O criticismo construiu-se como uma opção metodológica ao racionalismo e ao empirismo, duas doutrinas que há séculos dividiam os estudiosos sobre a maneira pela qual o conhecimento é adquirido.

Kant defendia que o conhecimento é resultado da interação entre o objeto de estudo e o sujeito. Para ele, os indivíduos possuem um conjunto de conhecimentos "a priori", que são anteriores às experiências e conhecimentos resultantes de experiências, chamados de "a posteriori".

Racionalismo X Empirismo

Racionalismo e empirismo são duas doutrinas filosóficas que pretendiam explicar como o conhecimento é adquirido pelo ser humano. No entanto, essas teorias são divergentes.

Para o racionalismo, o conhecimento é adquirido por meio da razão e não pelas experiências vivenciadas pelo ser humano. Além disso, os filósofos racionalistas acreditam que existem ideias inatas, que são conhecimentos que nascem com os indivíduos.

O principal pensador racionalista foi René Descartes (1596-1650) e sua frase "Penso, logo existo" sintetiza como a razão é elemento central para a construção do conhecimento.

O empirismo, por sua vez, é a doutrina que defende que o conhecimento é fruto das experiências e experimentações. Para os pensadores empiristas, o indivíduo aprende por meio de experiências sensoriais, com a utilização dos sentidos.

John Locke (1632-1704) é o principal representante do empirismo, para ele o conhecimento é fruto da experiência, ou seja, o "homem é uma tábula rasa". Ora, se o conhecimento é fruto da experiência, os indivíduos só adquirem conhecimento a medida que vivem.

Saiba mais sobre o racionalismo, o empirismo e entenda o significado da frase "Penso, logo existo".

O Criticismo Kantiano

Insatisfeito com ambas doutrinas e inspirado nas ideias do empirista David Hume (1711-1776) - outro filósofo da época do iluminismo - Kant propõe uma abordagem que se contrapõe ao empirismo e ao racionalismo.

Para Kant, o conhecimento é adquirido por meio da interação entre o objeto e o sujeito e tem como ponto de partida o interesse do indivíduo em aprender sobre o objeto, ou seja, Kant coloca o sujeito como peça principal em uma relação cognitiva.

Kant critica o racionalismo e o empirismo, pois defende que ambas as doutrinas não consideram o papel ativo da pessoa no processo de aquisição do conhecimento.

Dessa forma, Kant estabelece limites para o intelecto humano em relação ao conhecimento. Diferente de uma perspectiva ceticista, Kant acredita na possibilidade do conhecimento, mas defende que o indivíduo tem um conteúdo sensível a partir do qual ele capta e interpreta informações.

Isso significa que um pensamento não pode ser explicado com elementos externos ao indivíduo, mas deve ser relacionado com o próprio funcionamento de sua mente.

Ao compreender a relação entre o sujeito e o conhecimento - colocando o indivíduo como peça central dessa relação - Kant promove uma revolução na maneira de entender como o processo de aprendizagem acontece.

Essa mudança de perspectiva ficou conhecida como Revolução Copernicana de Kant, numa referência à Copérnico, que revolucionou a ciência ao mostrar que não era a Terra o centro do universo, mas o Sol.

Entenda o que foi o iluminismo e como funciona o sistema solar.

Conhecimento "a priori" e a "posteriori"

Ao contrário do empirismo e do racionalismo, que defendem que o conhecimento é fruto exclusivamente da experiência e da razão, respectivamente, Kant propõe que os indivíduos possuem conhecimentos "a priori" e a "posteriori".

"A priori" é o conhecimento anterior à experiência, são as noções puras de entendimento, aquelas capacidades que o indivíduo tem desde que nasce. "A posteriori", por sua vez, é o conhecimento que vem após a experiência.

Por exemplo, a capacidade de aprender um outro idioma é um conhecimento "a priori", já o aprendizado da língua em si é um conhecimento "a posteriori".

A partir dessa estruturação, Kant resolve o impasse entre Descartes e Locke, sugerindo que os indivíduos têm um conhecimento e uma forma de entendimento que é inata e que esse conhecimento interage com o conhecimento que é fruto das experiências.

Baseando-se nessa estrutura, Kant acredita que os indivíduos possuem uns óculos da razão, compostos por conceitos a priori. Esses óculos influenciam como as pessoas interpretam e entendem o mundo. Isso significa que os objetos não podem ser vistos como realmente são (em si mesmos), mas como a razão os interpreta.

Por isso o sujeito é a peça central do conhecimento, afinal, é a partir de seus óculos da razão que ele construirá uma interpretação de um objeto. Assim, seria impossível afirmar o que é um objeto em si, apenas dizer como ele se manifesta, como ele aparece.

Entenda o que é a razão.

Quem foi Immanuel Kant?

Immanuel Kant nasceu em 1724 na Prússia Oriental, onde hoje está localizada a Alemanha. Kant era de família simples, seu pai trabalhava em uma fábrica e sua mãe cuidava dos afazeres da casa.

Destacou-se na escola e foi indicado pelo diretor para cursar filosofia. Kant também estudou teologia e tinha enorme interesse em outras disciplinas como, matemática, geografia e metafísica.

Após a morte de seu pai, em 1747, precisou abandonar os estudos para ajudar a família, mas conseguiu voltar a estudar em 1755 e em 1770 tornou-se professor titular na Universidade de Königsberg.

As produções filosóficas do autor dividem-se em três momentos:

  • O período pré-crítico, antes de desenvolver o criticismo, quando adotava uma filosofia mais dogmática e racionalista.
  • Em seguida temos o momento crítico, quando escreve suas obras mais influentes, como: Crítica da Razão Pura (1781) e Crítica da Razão Prática (1788).
  • Por fim, o período pós-crítico, quando o filósofo já havia se tornado conhecido e respeitado por suas produções intelectuais.

Veja também o significado de dogmatismo, ceticismo e metafísica.

Data de atualização: 04/09/2019.

Pedro Menezes
Revisão por Pedro Menezes
Licenciado em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Mestrando em Ciências da Educação pela Universidade do Porto (FPCEUP).