Metáforas famosas

A metáfora é uma figura de linguagem em que são usadas palavras ou expressões em um sentido diferente do habitual. Nestas situações as palavras são utilizadas através da comparação de sentidos e de interpretações que podem existir entre elas.

Assim, a comparação na metáfora não é dita de forma explícita, ela fica subentendida através do sentido comparativo utilizado.

Veja o exemplo: Antônio chegou em casa com uma fome de leão.

Nesta frase a expressão "fome de leão" foi usada como metáfora para demonstrar que Antônio tinha muita fome quando chegou em casa, utilizando-se de uma comparação entre o apetite de um leão e a fome de Antônio.

As metáforas podem ser usadas em todos os formatos de comunicação: na fala, na literatura, na música, no cinema, entre muitas outras formas de expressão. Conheça algumas metáforas famosas:

1. A rosa de Hiroshima

Vinícius de Moraes compôs o poema Rosa de Hiroshima no ano de 1946. Em um trecho o poeta escreveu:

…Mas, oh, não se esqueçam

Da rosa da rosa

Da rosa de Hiroshima

A rosa hereditária

A rosa radioativa…”

Vinícius utilizou a aplicação da metáfora para fazer uma crítica aos bombardeiros realizados pelos Estados Unidos contra a cidade de Hiroshima em agosto de 1945, durante a II Segunda Guerra Mundial.

Quando usou a figura de linguagem para chamar a bomba de rosa, o poeta fez uma referência ao momento da explosão da bomba, que lembra a imagem de uma rosa, como pode ser visto na foto abaixo.

Assim, trata-se de uma metáfora que faz uma crítica severa ao bombardeio, pois as rosas, delicadas e bonitas, em nada lembram o poder destrutivo de uma bomba atômica.

Já as metáforas "rosa radioativa" e "rosa hereditária"são referências ao poder radioativo da bomba atômica e às graves consequências desse ataque, que por muito tempo afetaram a população desta cidade.

A força da radioatividade é tamanha que várias gerações nascidas em Hiroshima sofreram com problemas de saúde e deformidades causadas pela radiação da bomba.

HiroshimaBomba atômica lançada sobre a cidade de Hiroshima em agosto de 1945.

2. As gaiolas de Rubem Alves

Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas. Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle.

Neste trecho, que faz parte do livro Sete vezes Rubem, o autor Rubem Alves utilizou a aplicação da palavra gaiola para fazer uma crítica às escolas que não incentivam a liberdade e a diversidade de pensamento entre seus alunos.

Assim, utilizando a comparação das formas de aprisionamento, Rubem declara que as escolas que não estimulam o pensamento próprio dos alunos os aprisionam, assim como as gaiolas são usadas para retirar a liberdade dos pássaros.

Na crônica "Gaiolas e asas" o autor opina que escolas que não incentivam os alunos são lugares que fazem com que os pássaros (alunos) desaprendam a arte de voar, tornando-se pessoas presas, sob o controle de ideias já existentes.

Já as escolas asas são as escolas que incentivam o pensamento e dão asas aos alunos, possibilitando voos livres, baseados em ideias e conceitos produzidos individualmente por cada um.

3. Iracema e os lábios de mel

A metáfora é um recurso linguístico antigo, utilizado há muito tempo na literatura. Encontramos um exemplo na obra Iracema, de José de Alencar, publicada pela primeira vez no ano de 1865. É interessante observar que o autor costumava utilizar metáforas em suas obras, não somente ao escrever o romance Iracema.

Neste livro, ao descrever a personagem Iracema o autor a descreve da seguinte forma: Iracema, a virgem dos lábios de mel. José de Alencar utilizou uma linguagem metafórica para descrever que a personagem, vista por um bonito e apaixonado olhar, dizendo que ela possuía lábios que eram tão doces como mel.

IracemaRepresentação de Iracema (1884) por José Maria Medeiros.

Pode-se dizer que a metáfora foi utilizada para expressar a visão idealizada da mulher, uma das principais características do romantismo, gênero literário ao qual pertence a obra Iracema.

Leia mais sobre o Romantismo e conheça algumas características deste movimento artístico.

4. O amor é um laço

Na música Faltando um pedaço, de Djavan, há um trecho metafórico:

O amor é um grande laço

Um passo pr'uma armadilha

Um lobo correndo em círculos

Pra alimentar a matilha

Nesta canção o músico utilizou uma metáfora ao falar de amor, comparando o sentimento a um laço. Desta forma, Djavan expressou a ideia de que o sentimento amoroso faz com que as pessoas que se amam sintam-se unidas e entrelaçadas, assim como um laço.

A partir do uso da figura metafórica Djavan definiu a união e os sentimentos positivos que são experimentados pelas pessoas que vivem uma relação de amor.

5. A borracha de apagar ideologias

Mafalda

Mafalda é uma personagem conhecida por ser inquieta e muito questionadora. Nesta famosa tirinha do cartunista argentino Quino, criador da personagem, é usada uma metáfora para se referir ao cassetete usado pelo policial.

Para compreender melhor a linguagem utilizada na tirinha é preciso analisar o contexto histórico da sua publicação. Mafalda foi originalmente publicada entre os anos de 1964 e 1973, época em que a Argentina vivia sob um duro regime militar.

Quando a personagem se refere ao cassetete como a "borracha de apagar ideologias", fica evidente a crítica de Quino à repressão policial que ocorria na época contra pessoas que lutavam pelo fim da ditadura, principalmente durante as manifestações populares.

Leia o significado de Metáfora e veja também: Metáfora e Comparação, Metáfora e Metonímia e Exemplos de metáforas.

Data de atualização: 23/09/2019.